Clicos da Vida
Por Renato Souto Maior
Em trânsito a existência se encontra, e a diferença entre um acontecimento e outro se estabelece na percepção, em se situar e poder entender determinado momento, estado, experiência ou condição. Ciclos da Vida é um programa bem objetivo por resumir as fases da vida a transições de idade e morte, ou seja, naturalista, em sua maioria.
Corpo no Céu (Luisa Marques, Rio de Janeiro, 2008) é um retrato repleto de clichês, verdadeiros, sobre uma adolescente em um momento importante, percebido por ela, e transmitido com uma dramática e desnecessária seqüência, exagerada pela música de gosto duvidoso, no final do filme, quando se despede da família e embarca em uma viagem.
Se o encantamento com o filme anterior acontece por uma celebração à juventude e as maravilhosas expectativas de uma vida supostamente longa e bem-sucedida, sentimento aceitável e incentivado entre os jovens, Corpo Presente: Beatriz (Marcelo Toledo, Paolo Gregori, São Paulo, 2007) inicia a trajetória da protagonista de maneira determinante, ao anunciar a sua morte. A partir do já conhecido destino de Beatriz a produção apresenta um dia ordinário na vida da operária, mãe de um filho pequeno, e tece sua rotina como algo extremamente infeliz, sem vida. Morrer foi a mais audaciosa e impactante coisa que poderia ter acontecido e ela, e a única possibilidade de mudança significativa só viria através da morte.
Com O Sapato de Aristeu (Luiz René Guerra, São Paulo, 2008), curta preto e branco irretocável e sensível, a morte toma caráter de transformação ao reorganizar valores e comportamentos. Infeliz com a condição do filho travesti, mãe enxerga em sua morte uma forma de solucionar o infame e sempre existente problema, fisicamente com formas de seios e cabelos cumpridos, pertencentes ao corpo nu deitado sobre a sua cama. O corte do cabelo aparece repleto de simbologia, e a dignidade do morto então é restaurada, por devolver-lhe a aparência masculina. Após mobilização das amigas travestis em frente a sua casa, a família reconsidera e aceita a condição homossexual do ente calçando-lhe seus sapatos, femininos, em um toque narrativo esplendoroso e eficiente.
A Espera (Fernanda Teixeira, Rio de Janeiro, 2007) retrata um velho impaciente com o cotidiano monótono e propositalmente comum de sua vida, ansioso pela chegada da morte ao lustrar e encerar seu próprio caixão com tamanho afinco e propriedade. Movido por ações mecânicas e repetitivas, a esperar a morte que não chega, ele decide cessar o evidente sofrimento de viver e se suicida, deixando o olhar vivo que o analisa na ótica de um cachorro, sua até então única companhia. Apesar de ter seus méritos, o filme soa forçado e não impressiona. A idéia do idoso renegado e ocioso se apresenta antiga.
Encerra o programa com cunho mais subjetivo e otimista a animação Terra (Sávio Leite, Minas Gerais, 2008), ao tratar os ciclos da vida como opções, possibilidades e escolhas passíveis de mudança e instabilidade. A narração de Paulo César Pereio incita e constrói variantes de o que poderia ter sido vários tipos de homem.
Por Renato Souto Maior
Em trânsito a existência se encontra, e a diferença entre um acontecimento e outro se estabelece na percepção, em se situar e poder entender determinado momento, estado, experiência ou condição. Ciclos da Vida é um programa bem objetivo por resumir as fases da vida a transições de idade e morte, ou seja, naturalista, em sua maioria.
Corpo no Céu (Luisa Marques, Rio de Janeiro, 2008) é um retrato repleto de clichês, verdadeiros, sobre uma adolescente em um momento importante, percebido por ela, e transmitido com uma dramática e desnecessária seqüência, exagerada pela música de gosto duvidoso, no final do filme, quando se despede da família e embarca em uma viagem.
Se o encantamento com o filme anterior acontece por uma celebração à juventude e as maravilhosas expectativas de uma vida supostamente longa e bem-sucedida, sentimento aceitável e incentivado entre os jovens, Corpo Presente: Beatriz (Marcelo Toledo, Paolo Gregori, São Paulo, 2007) inicia a trajetória da protagonista de maneira determinante, ao anunciar a sua morte. A partir do já conhecido destino de Beatriz a produção apresenta um dia ordinário na vida da operária, mãe de um filho pequeno, e tece sua rotina como algo extremamente infeliz, sem vida. Morrer foi a mais audaciosa e impactante coisa que poderia ter acontecido e ela, e a única possibilidade de mudança significativa só viria através da morte.
Com O Sapato de Aristeu (Luiz René Guerra, São Paulo, 2008), curta preto e branco irretocável e sensível, a morte toma caráter de transformação ao reorganizar valores e comportamentos. Infeliz com a condição do filho travesti, mãe enxerga em sua morte uma forma de solucionar o infame e sempre existente problema, fisicamente com formas de seios e cabelos cumpridos, pertencentes ao corpo nu deitado sobre a sua cama. O corte do cabelo aparece repleto de simbologia, e a dignidade do morto então é restaurada, por devolver-lhe a aparência masculina. Após mobilização das amigas travestis em frente a sua casa, a família reconsidera e aceita a condição homossexual do ente calçando-lhe seus sapatos, femininos, em um toque narrativo esplendoroso e eficiente.
A Espera (Fernanda Teixeira, Rio de Janeiro, 2007) retrata um velho impaciente com o cotidiano monótono e propositalmente comum de sua vida, ansioso pela chegada da morte ao lustrar e encerar seu próprio caixão com tamanho afinco e propriedade. Movido por ações mecânicas e repetitivas, a esperar a morte que não chega, ele decide cessar o evidente sofrimento de viver e se suicida, deixando o olhar vivo que o analisa na ótica de um cachorro, sua até então única companhia. Apesar de ter seus méritos, o filme soa forçado e não impressiona. A idéia do idoso renegado e ocioso se apresenta antiga.
Encerra o programa com cunho mais subjetivo e otimista a animação Terra (Sávio Leite, Minas Gerais, 2008), ao tratar os ciclos da vida como opções, possibilidades e escolhas passíveis de mudança e instabilidade. A narração de Paulo César Pereio incita e constrói variantes de o que poderia ter sido vários tipos de homem.
vc vai ser um escritor, gato! q bom! beijos!
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